Poucas condições na dermatologia estética demandam tanto acompanhamento quanto o melasma facial. Apesar dos avanços em clareadores e protocolos combinados, a recidiva segue como um ponto sensível na prática clínica.
Grande parte dos tratamentos se concentra na fase ativa, com foco no clareamento da hiperpigmentação. Mas o verdadeiro desafio começa quando o protocolo termina.
Sem uma estratégia de manutenção bem definida, os estímulos inflamatórios e dérmicos tendem a reativar o processo pigmentante, comprometendo os ganhos terapêuticos obtidos.
É nesse cenário que repensar a conduta terapêutica se torna essencial. Manter os resultados exige mais do que controle de melanogênese. Exige precisão, visão a longo prazo e intervenções que alcancem os mecanismos profundos do melasma no rosto.
Um estudo recente explorou exatamente essa abordagem, avaliando o papel da radiofrequência microagulhada na manutenção do tratamento e no controle da recidiva. Confira os detalhes ao longo deste artigo.
Conduta prolongada no melasma: como evitar a perda de resultados
O comportamento crônico do melasma facial exige mais do que ações pontuais. A hiperpigmentação pode regredir com clareadores e ácidos tópicos, mas tende a retornar quando os estímulos internos não são controlados.
Entre os fatores que sustentam a atividade melanocítica mesmo após o tratamento, destacam-se:
- Inflamação persistente nos tecidos profundos;
- Aumento da vascularização dérmica;
- Disfunção da membrana basal;
- Presença de fibroblastos senescentes;
- Sinais de fotoenvelhecimento acumulado.
Essas alterações mantêm os melanócitos ativados, reforçando a necessidade de uma conduta terapêutica que vá além da epiderme.
Por isso, estender o cuidado para estruturas mais profundas é uma necessidade clínica. O foco deve migrar da resposta imediata para a modulação sustentada da atividade melanogênica, atuando sobre os tecidos que perpetuam o quadro pigmentante.
Uma conduta eficaz de manutenção não apenas prolonga os resultados, mas também contribui para reduzir o impacto psicológico do melasma no rosto, especialmente em pacientes que já passaram por múltiplos ciclos terapêuticos com resultados limitados.
Evidência clínica no controle da recidiva: o papel da radiofrequência
Um dos principais desafios no tratamento do melasma facial é manter os resultados após a fase ativa. A recorrência do quadro é frequente, mesmo entre pacientes que respondem bem aos protocolos iniciais.
Publicado em 2024 na Scientific Reports, o estudo clínico conduzido pelos dermatologistas sul-coreanos Hee Jeong Han, Jin Cheol Kim, Young Joon Park e Hee Young Kang avaliou a radiofrequência microagulhada como estratégia de manutenção para o melasma.
A pesquisa foi realizada no Hospital Universitário Ajou, com 15 pacientes diagnosticados com melasma facial.
Todos os participantes passaram por dois meses de tratamento convencional com ácido tranexâmico oral e creme de combinação tripla. Em seguida, somente metade da face foi submetida a sessões mensais de radiofrequência por seis meses.
Os resultados mostraram diferenças expressivas entre os dois lados tratados:
- O lado tratado com radiofrequência manteve os resultados, com Δ L* estável acima de 2,7 ao longo de todo o acompanhamento;
- O lado não tratado apresentou recidiva progressiva, com retorno à linha de base em até seis meses;
- Não foram registrados eventos adversos graves, apenas eritema leve e autolimitado na área tratada.
Esse é o primeiro estudo controlado a demonstrar o efeito protetor da radiofrequência microagulhada na prevenção da recidiva de melasma.
Para os profissionais, o dado reforça a relevância clínica dessa tecnologia como recurso adjuvante, com atuação direta na derme e foco na sustentação dos resultados a longo prazo.
Por que atuar na derme altera o prognóstico do melasma facial?
Grande parte dos tratamentos para melasma no rosto atua de forma superficial, concentrando-se somente na epiderme e na inibição direta da melanogênese.
No entanto, evidências recentes reforçam que os mecanismos que sustentam a hiperpigmentação têm origem mais profunda, com alterações estruturais na derme.
A atuação dérmica permite interferir em fatores que perpetuam o quadro, oferecendo uma abordagem mais completa e duradoura. Entre os benefícios clínicos de alcançar essas camadas com segurança, destacam-se:
- Modulação de fatores pró-pigmentantes produzidos por fibroblastos fotoenvelhecidos, como sFRP2, SDF1 e GDF15;
- Redução da vascularização aumentada, que contribui para a ativação dos melanócitos;
- Estabilização da membrana basal, responsável por proteger a epiderme da inflamação crônica de origem dérmica;
- Estímulo à produção de colágeno e procolágeno, melhorando a integridade estrutural da pele;
- Redução de fibroblastos senescentes, associados ao fotoenvelhecimento e à persistência da pigmentação.
A radiofrequência microagulhada, ao contrário de tecnologias que geram aquecimento epidérmico excessivo, como alguns tipos de laser, alcança essas estruturas com precisão térmica e segurança.
As microagulhas conduzem a energia diretamente à derme, respeitando a epiderme e reduzindo o risco de inflamação pós-procedimento ou hiperpigmentação rebote.
Para casos de melasma facial com alta taxa de recidiva, essa profundidade de ação representa uma mudança importante no prognóstico e nos resultados clínicos a médio e longo prazo.
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A evidência clínica reforça seu papel como ferramenta de manutenção no tratamento para melasma facial, com impacto real na redução da recidiva e melhora sustentada da qualidade da pele.
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